Marcas da Sabedoria

Conseguimos compreender o valor da sabedoria?

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Quem já não, um dia quis jogar algo que aparentava velho no vácuo da inutilidade?

A busca pelo novo, liso, perfeito, aceitável é incessante, todos sem exceção já percorrem pelo padrão da inutilidade. E será que esse mesmo padrão pode ser aplicado em tudo e com tudo na vida? Vamos explorar e mergulhar no emaranhado desse arquétipo e entender através da inteligência espiritual o que a Eneaolosofia pode nos revelar sobre como lidar com o padrão da inutilidade?


Bora lá, para entender sobre padrões, preciso primeiramente falar sobre arquétipos, o que são, como funcionam e como somos reféns. Imagina que desde pequenos nos deparamos com uma série de conceitos, padrões que através deles somos moldados pelo senso de educação, estilo de vida, respeito, oportunidade, perda, certo e errado. Cada um desses contém alguns arquétipos que pré-definem a moral, a ética e a personalidade de uma pessoa.

Aprendemos mais facilmente por referência, observamos e copiamos – padrão um tanto quanto medíocre quando praticamos o apego por ele – e é através deste ciclo de repetições que vamos absorvendo o que acreditamos, a partir das referências, formando nossos “próprios” padrões. Obviamente que não, não existem nossos padrões, seus padrões, meus padrões, existem os padrões deles, que insistimos ter a posse. Esses padrões chamamos de arquétipos. Nada mais nada menos que padrões comportamentais associados a um ponto de referência de intenso valor em nossa história.

A trajetória ensinada pela Eneaolosofia, é justamente eliminar padrões e substituir por valores. Claramente é muito ouvido por pessoas, referirem-se a padrões como valores; entendamos, padrões são pontos de repetições e valores são a expressão do que realmente alimenta a alma.

Agora, vamos fazer uma associação com o que já lemos e vamos adaptar para o padrão da inutilidade. 

Certamente você deve ter se perguntado o motivo pelo qual me referi a inutilidade como um padrão e não um valor. Utilizei-me deste termo pelo simples motivo de que tudo na vida existe dois lados, obstante a isso, me ponho obrigado a buscar utilidade naquele que foi, em algum momento, descartado pela qualidade dada a ele. Simplificando, tudo tem utilidade.

Entendo também que a utilidade das coisas acaba passando por um crivo de discriminação, pois quem está aplicando-o está sob referências arquetípicas e deixou de lado o real valor do que se analisa.

Aprofundando.

Existe um conceito que nos utilizamos na Eneaolosofia, que diz: Só pode ser observado no externo o que existe com referida equivalência no interior.

Analisando esse conceito multiversal, podemos entender que a utilidade ou inutilidade de algo está associada aos padrões ou valores existentes em quem está de posse do crivo.

Viver através de padrões nos faz repetir valores de outrora, que podem ser démodé e acabam por definir, não somente, o destino do que está sob o julgamento, bem como o futuro de quem está julgando.

Por essa simples razão, questiono-o sobre qual ótica você está vivendo, se por padrões ou valores.

Aí vem a grande questão, como saber se é padrão ou valor?

Padrão, você já sabe identificar. Valor, está associado à sua experiência, sua prática, sua história real de saborear e experimentar as coisas, de convivência, de sabedoria.

Cabe muito bem neste contexto uma grandiosíssima observação. O que de fato está sob o seu crivo de inutilidade?

Será que pessoas se encaixam nisso? Quantas pessoas são postas no vácuo da inutilidade, e quantas são esquecidas, desvalorizando toda sua existência? 

Por muitas vezes observo o arquétipo da inutilidade sendo aplicado sem nenhum senso de gratidão. O tempo em que aquele ser foi útil é simplesmente jogado na vala, no esgoto da inutilidade.

Por quantas vezes o tempo é utilizado como base para a inutilidade. A inutilidade tem a capacidade de ocultar tudo que um ser criou; seus feitos escoem pelas mãos do tempo e caem em meio ao vazio da inutilidade, não importando se dentre seus feitos, a maior de suas riquezas seja justamente quem está aplicando o padrão da inutilidade.

Para alimentar a inutilidade é preciso viver de padrões que inibam o amor, a gratidão e a continuidade.

Sem contar as vezes que parceiros afetivos sofrem essa mesma penalização, as marcas da sabedoria são esquecidas na escuridade do tempo. As lembranças não possuem mais poder, deixando-as ao léu, a sofrer com a amargura da inutilidade ilusória imposta por quem está respaldado por padrões obsoletos.

Se você é a pessoa que passou pelo arquétipo da inutilidade, saiba que inútil seria ter continuado ao lado de quem vive padrões, pois lembre-se, só podemos identificar no externo o que alimentamos no interno; reconheça e viva sua utilidade para que encontre quem se sintonize com sua essência.

E, se por ventura você se viu vivendo padrões ao invés de valores, busque um novo horizonte, pratique novos costumes, encontre novas amizades, frequente novos ambientes, modifique suas fontes de informação, alimente em seu âmago valores e inutilize padrões.

Acredito que cabe uma reflexão quanto a acumular coisas inúteis, aprenda a se desfazer do que verdadeiramente é inútil e valorize o útil.

Para viver a consciência mais profunda, a chave é apreciar as marcas da sabedoria.

Grato por existir!

Trivah